CONCERTOS HISTÓRICOS DA BANDA MUNICIPAL DO CRATO
A Banda Municipal do Crato, nome que a atual Filarmónica do Crato teve entre 1931 e 1983, atingiu um nível superior nos primeiros anos da década de 50 do século XX, muito por ação do maestro calipolense (Vila Viçosa) João Augusto Ferreira, nascido em 1900 e exímio músico militar, que viria a gerar mais dois portentosos músicos militares que granjearam enorme fama pelo país e Europa fora – Estevão Ferreira e Carlos Alberto Girão Ferreira. O último está aposentado e vive no concelho de Sousel tendo sido um enorme percussionista da Banda da GNR e da Orquestra da Gulbenkian, entre outras, e um dedicado professor. Tocou desde sempre na Banda do Crato, sua terra, e ainda hoje o faz sempre que pode e que para tal é solicitado.
Os documentos abaixo comprovam aquilo que os músicos mais antigos da Banda diziam aos mais novos: “a nossa Banda deu cartas por esse país fora nos anos 50. Fez grandes atuações em Vila Viçosa, nas Festas dos Capuchos. Inclusivamente, abrilhantou a tourada onde o grande matador da época, Carniceirito do México, perderia a vida. Também participou num concurso em Lisboa onde ficou em 2º lugar tendo perdido, injustamente, para uma banda militar”. Os mesmos documentos evidenciam ainda o tipo de músicas que a Banda tocava sendo que a maioria delas seriam impossíveis de interpretar nos dias de hoje, tal o seu grau de exigência e dificuldade, por exemplo: Bodas de Luís Alonso, 1812, La del Soto del Parral, Barbeiro de Sevilha, Lenda do Beijo, entre outras. Naquela época a banda ensaiava três vezes por semana e os seus músicos eram de uma dedicação extrema e o grau de exigência era muito grande…Não havia televisão, eram outros tempos. Os documentos são dois cartazes de concertos de 1950 e de 1951. O primeiro trata-se de um concerto no velho cinema do Crato, comemorativo da visita de um grupo de ilustres calipolenses que visitavam o seu ilustre conterrâneo. O de 1951 é alusivo à presença da Banda Municipal do Crato nas enormes e afamadas festas dos Capuchos, em Vila Viçosa. Tanto quanto foi possível apurar, a banda atuava em mais do que um dia e pernoitava em Vila Viçosa, o transporte já não era a carroça ou tão pouco a camioneta de caixa aberta. Foram de comboio!
Miguel Baptista – Abril de 2012
