FILARMÓNICA DO CRATO – DEZEMBRO DE 2019

Após a retoma do feriado nacional do dia 1 de dezembro, a Filarmónica do Crato manteve a tradição muito enraizada nas bandas filarmónicas portuguesas: comemorar a Restauração da Independência de 1640. No entanto, este ano o tempo não favoreceu a saída da Banda à rua e, mais uma vez, também não se registou a entrada de novos músicos, o que preocupa. Ainda assim, atualmente, a Escola de Música vai tendo algum movimento, ainda que não seja o desejável. Existe a possibilidade de se vir a concretizar um projeto envolvendo o Agrupamento de Escolas, no entanto, ainda está por arrancar. E cada ano sem renovação é um passo atrás no futuro da Banda.

No dia 8 de dezembro a tradição manteve-se e a Filarmónica do Crato alegrou a fria e cinzenta manhã (o dia esteve sempre envolto em neblina e caíram uns pingos à tarde) com a habitual arruada com cerca de metade dos músicos que atuaram no concerto da véspera, mas ainda assim bem digna e estreando um novo sousafone. Refira-se que com os dois sousafones a Banda ganha um realce na harmonização do som a todos os títulos notável. Verifica-se um enchimento dos baixos ao nível de bandas de maior dimensão ou militares.

Da arruada fez parte a habitual passagem por casa do grande amigo da Banda, já desaparecido, Alexandrino das Neves Carvalho. Infelizmente, este ano também já não tivemos a presença física da sua esposa, Narcisa Damas, pelo que a ação circunscreveu-se apenas à interpretação do Hino da Padroeira à sua porta, desígnio que a Filarmónica pretende perpetuar até que a memória dos seus elementos o permita. Durante cerca de quatro décadas esta casa abria as suas portas aos músicos, era paragem habitual para descanso e retoma de energias, mas acima de tudo, para convívio e amizade.

Em seguida, seguiu-se para a Unidade de Grandes Dependentes da Santa Casa da Misericórdia, no antigo Hospital do Crato, em início de obras, onde houve um pouco de convívio com aqueles que já guardam muitas memórias de melhores dias e a quem a visita da Filarmónica lhes traz um brilho aos olhos e um conforto à alma. Lá, encontrámos o nosso colega Fernando Carvalho, que todos os anos visitávamos nesta data na sua moradia, perto da sede da Banda. Entretanto, rumou-se ao Lar de Nossa Senhora da Conceição onde se cumprimentou todos os utentes e funcionárias alegrando-os com a interpretação do Hino. A arruada matinal terminou com a homenagem à porta de Isidoro Aires, cumprimentando a sua viúva, ele que foi o anterior Presidente da Direção da Banda. A habitual homenagem a Joaquim Morgado não foi possível concretizar visto que a sua antiga casa já não pertence à família. Concluiu-se esta jornada com a tradicional homenagem junto à Casa Josebel, ao grande Presidente da Banda dos anos 70 a 90, José Joaquim Lopes (Zé Foguete). Esta homenagem aconteceu oito dias mais tarde em virtude da Banda não ter podido arruar no dia 1 de dezembro, data em que o mesmo faleceu, corria o ano de 1995. Refira-se que nos últimos 15 anos a Banda tem sido presidida pelo seu filho mais velho, Filipe Lopes.

À tarde, a Procissão de Nª Senhora da Conceição, foi digníssima e concorrida, apesar do tempo. A Banda esteve mais uma vez em pleno apesar de não apresentar um coletivo muito numeroso.

Deixo para o fim o que de melhor se fez, ou seja, o concerto dedicado à Imaculada Conceição. Este ano, mais uma vez na noite de 7 de dezembro, a Filarmónica do Crato apresentou o seu principal trabalho anual, fruto de longos meses de ensaios. E o cenário não podia ser melhor! Precisamente a casa de Nossa Senhora, a Igreja Matriz do Crato. Com um cenário idílico, música clássica de qualidade, trabalho de casa bem feito, músicos de qualidade e um público que encheu a Igreja, o resultado só podia ser um: sucesso redobrado! Este ano, a Filarmónica contou com a participação especial do violinista Rui Ramos, natural da vila do Crato.

Dos momentos altos destaca-se a oferta de um novo instrumento pela Câmara Municipal do Crato, neste caso, um sousafone, um instrumento de sopro da família dos metais (inventado por um descendente de portugueses), a homenagem a João José Neves Costa pelos seus 50 anos como músico nas fileiras da Filarmónica e a condecoração da Filarmónica do Crato com a Medalha de Mérito da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa atribuída por Sua Alteza Dom Duarte, Duque de Bragança e Grão-Mestre da Ordem pelos bons ofícios prestados pela Filarmónica do Crato, que há 40 anos colabora com a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de forma gratuita em todas as atividades.

E como vem sendo apanágio o concerto finalizou com o Hino a Nossa Senhora da Conceição.

A música clássica ouvida na Matriz, interpretada por um punhado de amadores, roçou a perfeição e deixou todos os presentes de coração cheio com tão boa música e a qualidade sonora. Muitos foram os que disseram ter assistido ao melhor concerto de sempre da Filarmónica do Crato. A fasquia continua a elevar-se. E parece ser possível o concerto ficar imortalizado pois a gravação sonora do mesmo é de altíssima qualidade e as filmagens podem vir a enriquecer ainda mais o produto final com a concretização de um DVD. Veremos!

Está de para béns a Direção, presidida por Filipe Lopes, há 15 anos, no seu oitavo mandato, por mais este enorme sucesso. Também o maestro Humberto Damas merece um grande elogio pelo trabalho e produto final, em especial pela ideia dos temas clássicos, que percorreram praticamente todos os grandes vultos desta música, pela nova roupagem com as cordas, para além do Ruca também a nossa executante Beatriz Martinho interpretou alguns temas nesse famoso instrumento (ela que é nossa flautista). E, finalmente, os músicos, pela sua persistência em tantos ensaios, dedicação e qualidade. É verdade que nestas atividades há sempre uns que dão mais que outros, mas o que conta no final, é o produto oferecido e esse foi-o por todos. A banda apresentou-se com 43 elementos.

Uma última palavra vai para o público e entidades presentes, que encheram a Matriz e reforçam o trabalho e reconhecimento da Filarmónica, assim como a visão e envolvimento do Monsenhor Paulo Dias, que desde a primeira hora ofereceu a abertura necessária para o sucesso desta iniciativa.

Este concerto tem pernas para andar e todos esperam que não fique por aqui. Um dos desejos é que o mesmo possa ser replicado em breve na Casa do Alentejo em Lisboa.

Perspetiva-se um concerto de S. Gregório com a presença de muitos antigos músicos. Estão para ser convidados cerca de quarenta a residirem no concelho. Basta que metade ou um quarto aceite participar e teremos uma super banda e mais um concerto inolvidável. E no fim, que todos fiquemos felizes e alguns regressem às fileiras da sua/nossa Filarmónica do Crato, que assim encerrou as comemorações dos seus prováveis 175 anos de vida!

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