MÚSICOS MILITARES DO CRATO – FIM DE UM CICLO?

A Filarmónica do Crato orgulha-se por ter contribuído com muitos músicos que engrossaram as fileiras de várias bandas militares em Portugal nas últimas décadas. Vir a ser músico militar chegou a ser um dos propósitos de muitos jovens que enveredaram pela aprendizagem de um instrumento musical na Banda, tal era a vontade de seguirem o rumo de amigos, familiares ou conhecidos. A partir dos finais dos anos setenta e princípio de oitenta, saíram para a carreia de músico profissional vários cratenses. Na verdade, os primeiros foram os irmãos Ferreira (Estevão e Carlos Alberto Girão), filhos do maestro Ferreira, ambos elementos de grande relevo na Banda Sinfónica da GNR. Também podemos referir o músico Filipe Saramago, que fez carreira na Banda da Armada e mesmo o pai do atual maestro, Mário Damas, também chegou a músico militar, sem fazer carreira.

A estes, seguiram-se os três mais promissores jovens da Banda em 1977: Francisco Pedrosa (Pandorga) e Júlio Reis, infelizmente já falecidos, que fizeram longa carreira na Banda da Força Aérea Portuguesa; e João José Costa, na Banda da GNR.

Após estas adesões, foi um corrupio. Seguiu-se João Francisco Romão na Guarda Fiscal e Américo costa na GNR. Na mesma época, entrou também para a Força Aérea, o músico que motivou este texto: António Borrego, que passou este mês à reserva após 36 anos na Banda da FAP, marcando o fim de uma era que foi muito produtiva e entusiasmante. Pouco depois, passaram pela mesma Banda militar, uns mais tempo (anos), outros menos, músicos como João Manuel Caldeira, Francisco Quina, Domingos Reis e José Manuel Oliveira.

Movidos por esta tendência, outros jovens procuraram as bandas militares do exército. E podemos referenciar que pontuaram na Banda Regimental de Évora músicos como António José Sias, Humberto Damas (atual maestro da Filarmónica do Crato) e Joel Fernandes. Na Banda Regimental do Centro, em Tomar, passaram Jacinto Dias e Joaquim Batista, tal como muitos anos antes o fizera o Sargento Arlindo Gorgulho. A Banda Regimental de Queluz contou com Júlio Dias.

Uma menção final, vai para o Tó Borrego, que foi o último a terminar a sua carreira, ela que foi brilhante. Por força dos cortes orçamentais dos últimos anos, o Borrego não saiu como merecia, ou seja, com a patente de Sargento-chefe. Mas sai jovem e com saúde.

A verdade é que a realidade das bandas militares mudou muito nos últimos quarenta anos. Hoje em dia, os poucos elementos que entram para estas agremiações são pessoas, na sua maioria, formadas em universidades. Ou seja, em regra, possuem o 8º ano do Conservatório e um Curso Superior num qualquer instrumento. Que o diga a jovem Ana Isabel Rei, atualmente na Banda do Exército, em Queluz, onde está há perto de dois anos, que possui todos os graus académicos atrás referidos no instrumento de flauta transversal.

O ciclo fechou, mas não completamente. Mas é quase utópico que volte ao que era.

Parabéns à Ana por ainda podermos dizer que há músicos militares cratenses e que o ciclo não fechou completamente.

Para o Tó Borrego vai um forte abraço de um amigo que começou com ele a aventura da música a 8 de dezembro de 1976. Que tenha uma “reforma” repleta de saúde e bem-estar sem se desligar por completo da música.

Miguel Baptista – 18/02/2019

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